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Guerra – Schröder cancela promessas eleitorais

O chanceler social-democrata alemão Gerhard Schröder considerou "óbvio" que virá a ser concedido aos EUA o direito de sobrevoar território alemão e de utilizar bases na RFA em caso de guerra contra o Iraque.

von: António Louçã | Veröffentlicht am: 2. Dezember 2002

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Durante a campanha, em Agosto e Setembro, o SPD de Schröder tinha prometido a um eleitorado maioritariamente hostil à guerra que a Alemanha não teria qualquer participação num eventual ataque ao Iraque, mesmo que esse ataque gozasse do apoio da ONU.

Por decidir, permaneceram nesse momento as questões do sobrevoo do território, da utilização das bases e da presença no Koweit de tanques alemães equipados para a luta anti-bacteriológica. Foi em relação às primeiras duas dessas três questões que Schröder veio agora pronunciar-se, numa entrevista concedida hoje ao programa „Heute“, da ZDF.

Reaproximação aos Estados Unidos

O chanceler alemão procura deste modo dar um passo de reconciliação com os Estados Unidos, aproveitando a consulta feita por carta da Administração Bush a cerca de 50 países useiros e vezeiros nas alianças deste tipo.

Durante a campanha eleitoral, a então ministra social-democrata da Justiça, Herta Däubler-Gmelin, teria alegadamente comparado os métodos de Bush com os de Hitler. O presidente norte-americano retaliou com o silêncio, quando o chanceler alemão foi reeleito em Setembro, e absteve-se de enviar-lhe qualquer mensagem de felicitações.

Schröder, por seu lado, apressou-se a felicitar Bush quando este obteve, nas eleições de Novembro, a almejada maioria no Senado e confirmou a maioria republicana na Câmara dos Representantes. Apesar deste gesto do lado alemão, Bush veio participar no encontro da NATO em Praga, sem incluir na sua agenda qualquer encontro com Schröder. Todo o seu tempo estava preenchido com outros encontros: os dirigentes da República Checa, da Turquia, da França e o secretário-geral da NATO. Com Schröder foram, em todo o caso, trocados cumprimentos cordiais num banquete realizado ontem.

Também o ministro dos Negócios Estrangeiros, Joseph Fischer, recuou entretanto claramente em relação ao compromisso que tinha feito durante a campanha eleitoral o seu colega social-democrata na pasta da Defesa. Peter Struck tinha garantido, nesse momento, a retirada dos blindados alemães do Koweit em caso de guerra. O ministro verde Fischer veio agora afirmar que os blindados ficarão onde se encontram.

Tanto Schröder como Fischer continuam entretanto a afirmar que a Alemanha não participará numa guerra e que as suas tropas não participarão em combates contra o Iraque.

Pacifistas criticam o Governo alemão

As organizações pacifistas sublinham no entanto a vacuidade desta insistência. Uma delas, a Informationsstelle Militarisierung (IMI), lembra que as tropas estacionadas no Koweit viram esse estacionamento confirmado e que, em caso de guerra, acabarão inevitavelmente por ter algum tipo de envolvimento.

Também os vasos de guerra alemães que navegam no Golfo Pérsico, acrescenta a IMI, passariam a escoltar transportes para zonas de guerra, no interesse dos beligerantes anglo-americanos.

Em relação às bases militares em território alemão, a IMI destaca a importância da 1ª Divisão Blindada do exército norte-americano, e de tropas estacionadas em quartéis da Baviera, Baden-Würtemberg, Hessen e Renânia-Palatinado, que precisam de uma autorização de Schröder para irem até ao porto de Bremerhaven e aí serem embarcadas em direcção à zona de guerra.

O dirigente da IMI, Tobias Pflüger, analisou também o conteúdo das propostas trazidas pelos responsáveis norte-americanos à cimeira de Praga, considerando que as suas componentes essenciais são, por um lado, a doutrina da „guerra preventiva“ e, por outro, a possibilidade de utilizar armas atómicas, em modo de „baixa intensidade“.

Pflüger inquieta-se sobre o facto de o dirigente democrata-cristão Wolfgang Schäuble ter defendido no Bundestag um assentimento alemão à „guerra preventiva“ e, mais ainda, sobre o facto de o Governo da República Federal Alemã ter declarado em Praga um acordo geral com as propostas norteamericanas, sem exceptuar desse acordo o ponto relativo à utilização de armas nucleares.

António Louçã, RTP Multimédia

Original: http://www.rtp.pt/index.php?article=26359&visual=5

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